Opiniões são como filhos

Deparando-se com a escolha entre mudar a própria visão de mundo e provar de que não há nenhuma necessidade disso, quase todo o mundo vai se ocupar de achar a prova. (John K. Galbraith, economista)
Mudar nossos modelos mentais é mais desconfortável do que perder um olho ou um membro, disse o fundador da Visa, Dee Hock, em seu livro autobiográfico.
Frequentemente, em reuniões e encontros informais, nos deparamos com a seguinte situação: alguém apresenta uma opinião, às vezes construída na hora, sobre o assunto em discussão e se aferra àquela opinião como se fosse uma parte de seu corpo da qual não pode abrir mão ou como se fosse um filho. É um fenômeno que o economista comportamental Dan Ariely batizou com muita propriedade de Efeito Ikea.  A conversa então se torna uma conversa de surdos e, se for uma reunião organizacional, prevalece quem tem mais poder.
Essa é uma característica humana, mas que pode ser superada por esforço individual (raro), mas principalmente por meio de processos de decisão bem estruturados (em se tratando de discussões que visam à solução de problemas pessoais ou organizacionais). Essa característica, todavia, nos divide em atividades como grupos de discussão pela Internet, em que a falta de contato pessoal ainda favorece a animosidade. Reconheço que a tentação de opinar sobre os diversos temas é por vezes muito forte ou irresistível.

Um livro essencial para melhorar os processos de decisão

 

 

Os irmãos Heath, conhecidos pesquisadores da área comportamental, acabaram de lançar um livro excelente (“Decisive”), que aborda os diversos vieses nos processos de decisão individuais e organizacionais, além de alguns modos práticos (com embasamento científico) para superá-los (como a técnica desenvolvida pelo especialista em experts Gary Klein – o pré-mortem) . O livro é excelente. Em nossas vidas pessoais e profissionais precisamos tomar decisões o tempo todo. Geralmente uma pequena parte dessas decisões costuma ter consequências sérias, mas a forma como tomamos decisões frequentemente não leva aos melhores resultados. A literatura que trata dos chamados “reparos cognitivos” que podem ser adotados por organizações (e por indivíduos) ainda é pequena. Esse livro sistematiza boa parte dos reparos conhecidos.

Eu não conseguiria resumir todos os pontos do livro em um post. Um curto resumo pode ser lido aqui (http://www.gsb.stanford.edu/news/headlines/beyond-biases). Por sua vez, um pequeno e instrutivo trecho do livro pode ser lido neste link: http://www.ssireview.org/articles/entry/decisive