Argumento furado no julgamento de aditivos do cigarro

Dias Toffoli, no julgamento sobre a proibição de aditivos nos cigarros (aqueles que servem para fisgar consumidores/viciados jovens), repetiu o argumento da indústria tabagista e comparou o tabaco ao açúcar, afirmando que o último provavelmente tem mais morte nas costas do que o primeiro. A analogia entre o tabaco e o açúcar é enganosa e não serve para exonerar o cigarro e dar carta branca para a indústria do câncer. Sem contar os furos dessa analogia, eu me pergunto por que o argumento foi abandonado pela metade. Pois, se levado a sua conclusão, o ministro (e quem o acompanhou) deveria se perguntar por que as restrições (válidas e necessárias) para os produtores de cigarro não deveriam ser estendidas à indústria alimentícia, que deita e rola adicionando açúcar refinado a produtos que compõem uma dieta cada vez mais pobre. É fácil cair nos argumentos ruins da indústria tabagista.