Jogando milho aos pombos

A curva normal parece capturar melhor a distribuição do comportamento social. Ela representa a propensão a executar os mais diversos comportamentos de interesse: exames preventivos de saúde, “compliance” do contribuinte, adoção por deputados de uma ideia, comprometimento dos funcionários, “compliance” dos moradores de um condomínio, comportamento dos motoristas no trânsito, interesse de clientes potenciais, comprometimento de alunos em salas de aula etc. Até hoje eu não achei um contexto sequer em que não a distribuição normal não fosse claramente aplicável (e, evidentemente, outras distribuições, como as chamadas “power laws” – exemplo Pareto – são derivadas dessa – considere que um percentual pequeno de motoristas comete a maioria das infrações de trânsito). Se as pessoas, em seus grupos sociais diversos, se distribuem naturalmente dessa forma, isso não significa que nada pode ser feito. Pelo contrário. Há técnicas e mecanismos para trazer a maioria do grupo para a faixa de interesse (execução do comportamento). Tipicamente, essas técnicas e mecanismos significam romper com o paradigma que eu chamo de “jogar milho aos pombos”: disponibilizar a informação e achar que as pessoas se mobilizarão a partir dela. Tipicamente, isso só acontece com a primeira e restrita faixa representada à esquerda da curva.