Rio de Janeiro de joelhos para a indústria tabagista

Pobre Rio de Janeiro. Pezão caiu feito um pato da Fiesp no conto da indústria tabagista e se recusou a aumentar a alíquota do cigarro nesse momento tão dramático. Em São Paulo, a alíquota já é de 30% e as evidências internacionais mostram inequivocamente que alíquotas altas são efetivas e racionais. A estorinha de que não pode ter alíquota alta porque aumenta o contrabando é puro bullshit. Ignora evidências internacionais sobre o efeito da tributação alta sobre o consumo e o bem-estar dos fumantes (e não-fumantes). Joga, ainda, uma cortinha de fumaça (sorry, não resisti) sobre o principal efeito desse lixo na população e nos combalidos sistemas de saúde. Esse exemplo mostra que (1) narrativas, vendidas habilmente no mercado de ideias (mídia e redes sociais) são fundamentais para qualquer interesse, legítimo ou não e (2) basta que essas mesmas narrativas façam sentido superficialmente. A verdade de um problema complexo é um mero detalhe.