Por que nos compadecemos da morte de alguém famoso, mas ignoramos o sofrimento de vítimas abstratas?

São dois fenômenos complementares: um, o “identifiable victim effect”, faz com que nos compadeçamos de vítimas concretas, cujos detalhes são vívidos e conhecidos. Outro, o “psychic numbing”, faz com que vítimas genéricas e numerosas sejam vistas como mera estatística, fria. É uma característica da mente humana, por mais que gostaríamos que fosse diferente. Mas com consequências concretas na qualidade de vida da população mais pobre. Por exemplo, só na cidade de SP estima-se um déficit de 200 mil vagas em creches (um absurdo, um atentado contra o futuro dessas crianças, um descalabro por qualquer critério). Mas as mães, pobres, sem voz, não fazem passeata e o problema fica lá, “enterrado”, fora da agenda da mídia, fora da agenda política, fora da agenda pública.