A supervalorização da inteligência

Há alguns anos correu na Internet uma versão de que o George W. Bush era o presidente de menor QI de todos os tempos. Mas isso era um hoax. É falso. O QI estimado do Bush filho é moderadamente alto, entre 120 e 130, o suficiente para ele ser enquadrado no percentil 95 da população americana. É um QI de respeito.
O exemplo do Bush filho, famoso pela forma desastrada de tomar decisões importantes (ele alegadamente dizia que pensava como um “homem do povo”) ilustra bem um conhecimento contraintuintivo, mas que vem sendo desvendado pela ciência nos últimos anos: a correlação entre indicadores de inteligência e de racionalidade é baixa ou inexistente. Tratei disso  neste artigo aqui. Em outras palavras, inteligência não é vacina contra decisões ruins. Inteligência é algo sobrevalorizado.
Para usar um outro exemplo instrutivo, os americanos de origem asiática são um percentual bem pequeno da população dos EUA, mas tem uma participação muito alta nas melhores universidades daquele país. O QI médio desses universitários de origem asiática não é superior ao dos americanos de outras origens e em vários casos é ligeiramente inferior, como mostra Roy Baumeister em um livro que traduz o conceito de auto-regulação para uma linguagem acessível. O que os difere é justamente um alto escore nessa dimensão que mais explica o sucesso na vida, no estudos etc. A auto-regulação pode ser traduzida, grosso modo, como auto-controle (manifestado em facetas como força de vontade, disciplina e persistência).