Os líderes e a motivação

A reportagem de capa da revista Você S/A de junho trata do perfil de liderança atualmente procurado pelas empresas. O perfil valorizado tem três aspectos importantes: O líder que impõe menos e pergunta mais; o líder que age rapidamente e o líder que cria uma rede forte de contatos, tanto laços próximos, quanto laços distantes, que trazem uma visão de mundo bem diferente.

É um perfil que também é necessário nas organizações públicas, pois os gestores destas também precisam criar condições para que as pessoas deem o melhor de si. Esse perfil, que é ao mesmo tempo mais humanista e voltado a resultados, tende a favorecer a construção de equipes de trabalho mais motivadas.

(Falta de) motivação ainda é um problema grave nas organizações: estimativas para o mercado norte-americano mostram que apenas 30% dos funcionários se sentem engajados no trabalho (há uma detalhada pesquisa do Gallup que acabou de sair do forno, tratando do tema com dados relevantes). É muito pouco. Isso em um país que é matriz no desenvolvimento de técnicas de gestão (as mesmas que importamos e usamos). Em outras palavras, as empresas ainda não sabem como criar condições adequadas para a motivação sustentável de seus funcionários. As consequências são reais: equipes motivadas produzem muito mais e com maior qualidade (as evidências são fartas) e profissionais desmotivados lidam ainda com diversos problemas decorrentes da má gestão, como saúde deteriorada. A estimativa dos pesquisadores do Gallup para os prejuízos à economia americana decorrentes da má gestão de pessoas é de cerca de US$ 500 bilhões por ano (equivalente a 25% do PIB brasileiro). Mais sobre isso em breve.